
Pesquisa dos hábitos vocais de universitários
da área de saúde da Universidade de Alfenas/MG
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Pergunta |
Respostas – no. de indivíduos |
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Sim |
Não |
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1 –Você Já teve algum problema vocal? |
268 |
32 |
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2 - Você acha que sua voz combina com seu corpo/físico? |
231 |
69 |
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3 - Você acho que sua voz combina com sua personalidade? |
278 |
22 |
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Fatores Prejudiciais à voz |
No. de indivíduos que assinalaram o fator |
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Bebidas alcoólicas |
239 indivíduos |
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Bebidas geladas |
289 indivíduos |
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Fumo |
289 indivíduos |
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Alergias |
276 indivíduos |
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Humidade e mofo |
275 indivíduos |
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Pigarrear |
274 indivíduos |
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Alterações Endócrinas |
274 indivíduos |
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Alimentos quentes |
273 indivíduos |
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Raspar a garganta |
273 indivíduos |
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Alimentos ácidos |
265 indivíduos |
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Esforçar ao falar |
265 indivíduos |
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Alterações Neurológicas |
264 indivíduos |
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Uso de medicamentos |
264 indivíduos |
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Alterações respiratórias |
262 indivíduos |
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Alterações digestivas |
250 indivíduos |
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Comida condimentada |
250 indivíduos |
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Vestimentas apertadas |
152 indivíduos |
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Anticoncepcionais |
90 indivíduos |
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Fatores etiológicos dos distúrbios vocais atribuídos pelos acadêmicos: |
% de indivíduos que assinalaram o fator |
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Hereditariedade |
95% dos indivíduos |
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Bebidas alcoólicas |
92% dos indivíduos |
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Uso de drogas |
88% dos indivíduos |
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Alterações digestivas |
75% dos indivíduos |
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Tabagismo |
72% dos indivíduos |
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Problemas hormonais |
67% dos indivíduos |
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Problemas psiquiátricos |
51% dos indivíduos |
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Alterações congênitas |
42% dos indivíduos |
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Alterações respiratórias |
36% dos indivíduos |
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Fator racial |
23% dos indivíduos |
Behlau e Pontes (1993), definem higiene vocal como sendo algumas normas básicas que auxiliam a preservar a saúde vocal e previnem o aparecimento de alterações e doenças.Pinho (1997) explica que os professores, atores, cantores, locutores, advogados, telefonistas, entre outros, são considerados profissionais da voz. Entretanto, muitas das atividades verbais utilizadas por eles são incompatíveis com a Saúde Vocal, podendo danificar os delicados tecidos da laringe e produzir um distúrbio vocal decorrente do abuso ou mal uso da voz." Behlau e Rehder (1997) alertam que as normas de Higiene Vocal devem ser seguidas por todos indiscriminadamente. De forma particular devem ser sempre seguidas por aqueles que se utilizam mais da voz ou que apresentam tendência a alterações vocais, os chamados os profissionais da voz. Pinho (1997) aponta algumas formas de abuso vocal ou hábitos vocais que podem interferir incisivamente na qualidade vocal: * Gritar sem suporte respiratório; * Falar com golpes de glote; * Tossir ou pigarrear excessivamente; * Falar em ambientes ruidosos ou abertos; * Utilizar tom grave ou agudo demais; * Falar excessivamente durante quadros gripais ou crises alérgicas; * Praticar exercícios físicos falando; * Fumar ou falar muito em ambientes de fumantes; * Utilizar álcool em excesso; * Falar abusivamente em período pré-menstrual; * Falar demasiadamente; * Rir alto; * Falar muito após ingerir grandes quantidades de aspirinas, calmantes ou diuréticos; * Discutir com freqüência; * Cantar inadequada ou abusivamente ou, ainda, participar de corais e cantar em vários estilos musicais; * Presença de refluxo gastroesofágico, altamente irritante às pregas vocais ( o refluxo gastroesofágico é decorrente de disfunções estomacais, responsáveis pela liberação de ácido péptico, que em algumas situações pode banhar as pregas vocais, agredindo-as).É importante salientar, como afirma Pinho (1997), que esta é uma lista tradicional de abusos vocais mais freqüentes, entretanto devemos estar sempre atentos a outros distúrbios não usuais que possam estar interferindo no bom rendimento vocal, já que o aparelho fonador é altamente sensível e qualquer disfunção em qualquer parte do organismo pode ser prejudicial. Pinho (1997) discorre a respeito das conseqüências dos abusos vocais sendo que as alterações orgânicas mais freqüentemente observadas, encontramos os nódulos vocais ( nodulações semelhantes a calos) e edemas ( inchaço das pregas vocais).Faremos a seguir uma relação de questões ligadas a hábitos que alteram a voz de um sujeito, conforme apresentado por Ferreira e Silva, in video, (1996):- Cigarro: possui componentes agressores à laringe.- Álcool: por ser anestésico, pode fazer com que haja abuso vocal e há associação entre o consumo intensivo das bebidas destiladas e câncer de laringe e pulmão. - Drogas: a maconha aumenta a temperatura do trato vocal, provocando um inchaço nas pregas vocais. Já a cocaína é um vasoconstritor, podendo corroer a mucosa do trato. - Tosse e Pigarro: quando acontecem, as pregas vocais encontram-se bruscamente uma contra a outra, irritando-as e descamando os seus tecidos, podendo causar edemas.- Competição Sonora: tende-se a aumentar a intensidade da voz, o que pode acarretar numa disfonia.- Gritar: as pregas vocais batem violentamente e em maior velocidade.- Posturas Corporais: o corpo deve ser mantido sempre ereto e livre, sem áreas tensas para uma boa produção vocal.- Poluição: irrita o sistema respiratório e o trato vocal, podendo causar alterações vocais.- Alergias: podem obstruir as fossas nasais, causando irritações e inchaço da mucosa, e isso faz com que as pregas vocais não vibrem livremente. - Ar Condicionado: resseca a mucosa do trato vocal, havendo maior necessidade de hidratação.- Choques Térmicos: quando ocorre uma mudança brusca de temperatura (ambiental ou por alimentos ingeridos), pode causar problemas inflamatórios e inchaço da mucosa.- Cafeína e Refrigerante: interferem na produção vocal, pois dificultam a digestão podendo desencadear o refluxo gastro-esofágico e irritar a mucosa.- Pastilhas, Sprays e "Drops": possuem um efeito anestésico podendo mascarar a dor do esforço vocal, prejudicando ainda mais a produção da voz, podendo ser também irritativo.- Sono: pode ocorrer uma fadiga vocal após uso excessivo da voz. - Esportes: a prática de exercícios físicos associados à produção vocal é uma sobrecarga ao aparelho fonador, já que se respira mais intensamente aumentando a força do fechamento glótico, porém sabemos que nem sempre isso é possível, como por exemplo, no caso de professores de ginástica, entre outros. Por outro lado, há esportes que favorecem a produção da voz, pois ativam todo o corpo e melhoram a respiração, como: natação, caminhada, ioga e alongamento. - Vestuário: roupas apertadas na região do pescoço e do abdômen devem ser evitadas, porque dificultam a movimentação da musculatura. - Hidratação: deve-se beber bastante líquido, em pequenos goles, para que ocorra uma boa hidratação da laringe, e assim, uma vibração livre e com pouco atrito das pregas vocais, pois há maior movimentação laríngea, aumentando assim a amplitude. - Alteração Hormonal: distúrbios vocais podem ocorrer durante o período pré-menstrual, menstrual, gestacional, e em meninos (mais notável do que em meninas) durante a muda vocal. Pinho (1998) afirma que apesar de as orientações serem gerais, as necessidades, assimilações e repercussões são absolutamente singulares. Por exemplo: o gelado, geralmente, prejudica a voz, mas a quantidade e a forma deste prejuízo se manifestam diferentemente em cada pessoa, dependendo do momento e da maneira em que este abuso foi cometido. As reações do corpo humano são únicas e dependem de cada indivíduo em cada momento.Em se tratando de substâncias utilizadas para melhorar a voz (Gráfico 1) verificou-se que os acadêmicos entrevistados ainda não possuem conhecimento das substâncias que podem estar beneficiando a qualidade vocal. Há, portanto necessidade de programas de orientação vocal aos acadêmicos que na pesquisa citaram inclusive o gargarejo com uísque iria comprometer ainda mais a fisiologia das pregas vocais e consequentemente da saúde da voz.

Gráfico
1 - Gráfico referente as substâncias utilizadas para melhorar a
sua voz assinalas pelos acadêmicos.
Desde a antigüidade existiam preocupações quanto à
saúde vocal. Estas apareciam na forma de crenças populares que
buscavam a cura e/ou o alívio daquilo que incomodava o povo da época
(Viola, 1997).De acordo com a história das terapias de voz, Stemple (1984)
cita alguns "remédios folclóricos" para alterações
na garganta usados na antigüidade: "suco de caranguejo, cérebro
de coruja, cinzas de corujas queimadas, linimento de centopéia. Entre
as plantas medicinais, relaciona-se a couve, o alho e a urtiga... O povo hindu
(700 a..C. ) usava gargarejos com vinagre, mel, óleos, suco de frutas
e urina de vaca sagrada".A maçã possui propriedades adstringentes
e de relaxamento da musculatura, podendo limpar a boca e a faringe. Behlau e
Pontes (1993) indicam comer uma maçã antes da atividade profissional.Guimarães
(1994) apud Viola et al. (1997) "...indica para melhorar a voz: suco de alho
misturado com mel, advertindo que doses elevadas podem produzir dor de cabeça,
vômito, tontura e diarréia..."Behlau e Pontes, (1993) inferem que
nos momentos em que a voz é muito utilizada a alimentação
deve ser rica em fibras para que a mastigação ajude no alongamento
dos músculos faciais. Aconselham também, a ingestão de
sucos de frutas cítricas como de laranja e limão, pois auxiliam
na retenção de líquidos e limpeza do trato vocal. Beber
água fresca em temperatura ambiente quando sentir a garganta seca, também
é indicado, pois a lubrificação é essencial para
uma boa voz. Infelizmente a auto-medicação é uma prática
realizada por pacientes; tal situação é extremamente perigosa
e pode por em risco não somente a saúde vocal, mas também
a saúde geral do indivíduo (Belhau e Pontes, 1999). Medicamentos
são complexos químicos que podem comprometer decisivamente sua
produção vocal, quando administrados iricorretamente. Remédios
inadequados ou remédios corretos tomados de modo errado podem representar
uma ameaça à sua voz. Partindo-se do pressuposto que os medicamentos
são administrados por seu médico e em circunstâncias especiais,
vamos agora ressaltar os remédios que devem ser evitados, principalmente
pelos indivíduos que usam suas vozes profissionalmente de modo intensivo
em suas ocupações profissionais. São eles: Analgésicos,
antibióticos, Sprays nasais, medicamentos antitussígenos, descongestionantes,
antidiuréticos, diuréticos, vitaminas C, hormônios e tranquilizantes
(Belhau e Pontes, 1999).No Gráfico 02 demonstraremos que os acadêmicos
não dominam todos os medicamentos que podem ser prejudicial a voz.
Gráfico 2 – Gráfico referente aos medicamentos assinalados
como prejudiciais a voz.
Ao serem questionados a respeito dos profissionais que cuidam da saúde vocal e do aparelho fonador, a grande maioria apontou o médico otorrinolaringologista e, apenas 26% apontaram o Fonoaudiólogo. Dados que remetem à necessidade de uma maior divulgação da Fonoaudiologia como ciência que também tem como objeto de estudo a voz.O médico otorrinolaringologista é quem pode diagnosticar possíveis problemas no aparelho fonador. A partir de seu diagnóstico se necessário, o fonoaudiólogo, que trabalha juntamente com o otorrinolaringologista, fará a correção de possíveis problemas através de exercícios
.
Gráfico 2 – Gráfico referente aos profissionais assinalados como
indicados para ser encaminhado um indivíduo com alterações
vocais.
CONCLUSÃO
Conseguimos com este trabalho de pesquisa, avaliar e pesquisar a percepção
dos acadêmicos da área de saúde das Universidades de Alfenas,
MG, quanto aos conhecimentos a respeito da influência dos hábitos
vocais na manutenção da saúde vocal e verificar, com a
Fonoaudiologia, a necessidade de implantação de programas de orientação
vocal.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
Behlau, M. e Rehder, I. Higiene Vocal Para o Canto Coral.
Rio de Janeiro: Revinter, 1997.Behlau, M. e Pontes, P. Higiene Vocal
- Informações Básicas. São Paulo:
Louvise, 1993.Belhau, M. e Pontes, P. Higiene vocal - cuidando da voz.
2 ed. São Paulo: Revinter, 1999.Ferreira, L.P. e Silva, M.A.A. – A
Saúde Vocal, São Paulo, Apropuc, 1996.Pinho, S. M. R. Manual
de Higiene Vocal para Profissionais da voz. Caparicuiba: Pró-Fono,
1997.Pinho, S. M. R. Fundamentos em Fonoaudiologia-Tratando os Distúrbios
da Voz. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1998.Stemple, J.C. Clinical
voice pathology. Columbus, Merril, 1984. Viola, I.C. Estudo descritivo das
crenças populares no tratamento das alterações vocais em
profissionais da voz. São Paulo, 1997. Dissertação (mestrado)
– Distúrbios da Comunicação, Pontifícia Universidade
Católica de São Paulo.