Câmara municipal confere título de cidadão honorário
a Aguinaldo Araújo Diretor Clínico do Alzira Velano

Alfenas reconhece , sexta-feira, dia 17 de dezembro, em sessão solene na Câmara Municipal, às 20h, a cidadania de Aguinaldo Araujo, 34 anos depois que ele aqui chegou "apenas para dormir" e, impressionado, encantou-se e nunca mais deixou a cidade que adotou como sua. Amigos, familiares e autoridades estarão presentes para somarem os abraços na justa homenagem ao médico Aguinaldo Araújo, Diretor Clínico do Hospital Universitário Alzira Velano, que há mais de três décadas mora, trabalha e vive com alegria em Alfenas, cidade com a qual ele diz ter um caso de amor à primeira vista.
O projeto de resolução que confere o título de cidadão honorário a Aguinaldo Araújo é de 1980 e foi proposto pelo então vereadores Messias da Silveira e Francisco Bruzzadelli, já falecido. Desengavetado, 24 anos depois, o projeto e a resolução 100/80, fazem justiça.
Se a homenagem só veio agora, o amor que ele sente ser recíproco - chegou antes. Foi em setembro de 1970, quando o jovem médico, recém formado pela Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais, deixou Belo horizonte, em companhia de um amigo, para procurar emprego em alguma cidade do interior. Alfenas não fazia parte dos planos. Era apenas um lugar de pouso. Ao entrar na cidade, ao entardecer, para dormir, a visão da avenida José Paulino da Costa mudou os planos, o destino e a vida do médico Aguinaldo Araújo. O filho de dona Maria Batista de Araújo e de Geraldo Araújo, na época casado apenas há um mês com Alda Rebelo de Araújo foi categórico em sua decisão: "uma cidade que tem uma avenida como esta, é uma cidade de futuro". Hoje comemora feliz o acerto na escolha e confessa: está completamente satisfeito, é realizado no trabalho, no casamento com Alda sua fiel companheira há 41 anos, com os filhos Paula, Emerson, Ricardo e Álvaro, com os amigos e com as lembranças dos que se foram, do pai e da mãe que ele venera e sente presente em sua vida todos os dias. "Valeu a pena, valeu demais", diz ele entre um sorriso e outro. Tudo deu certo. As escolhas foram corretas. A cidade, o trabalho, o amor, os amigos. Tudo contribuiu para que ele chegasse aos 61 anos bendizendo a vida. Nem os problemas com a saúde que o levaram a operar o coração em maio de 95,diminuiram seu entusiasmo. "Foi aí que senti o carinho do povo de Alfenas", conta . Cartas, telefonemas, visitas, correntes de orações e missas, fizeram Aguinaldo, que recebeu duas pontes de safena, nascer de novo, em Alfenas, aos 50 anos de idade. De lá pra cá, só alegrias e realizações. O médico anestesista que já foi diretor clínico da Santa Casa por dois mandatos e diretor da DRS-Diretoria regional de saúde- por cinco anos e meio; ex-diretor do Alfenense Futebol Clube e jogador - em todas as posições, como ele mesmo, vaidoso, faz questão de contar- no Liberal Futebol Clube; é hoje o Diretor Clínico do Hospital Universitário Alzira Velano; professor da Faculdade de Ciências Médicas da UNIFENAS; membro da Comissão de Certificação dos Hospitais de Ensino pelo MEC e Ministério da Saúde e um dos três vice- presidentes do Conselho Regional de Medicina de Minas Gerais.
Depois de tanto tempo, de andanças e conquistas, a homenagem que recebe não muda seu estilo, mas alarga seu sorriso. Ele tem orgulho de ser quem é , de ter os amigos que tem e confessa a todo instante o amor e a admiração pela mulher: "Quando vou falar alguma coisa, ela fala antes", explica contando que até mesmo nas diferenças, eles são iguais. O trabalho no hospital Alzira Velano, o casamento com Alda, os filhos, as amizades Aguinaldo ostenta como prêmios. São medalhas. Sem muitos rodeios, falando direto, de um jeito simples, como bom mineiro, ele diz com certeza que adora fazer o que faz e ser quem ele é. Dar aulas, atender aos pacientes, sedar a dor, cuidar do Hospital, conversar com os amigos, namorar a Alda, ler filosofia, bioética e biografias, assistir futebol, são as coisas que ele mais gosta. De Alfenas, adora o entardecer e o povo, o povo que ele acha "o melhor do mundo".
Nascido em Itapecirica no Centro-oeste de Minas, em 1945, renascido aqui, depois da cirurgia do coração, em 1995, Aguinaldo Araujo, passa a ser, reconhecidamente, por lei, o que sempre quiz e sonhou: um alfenense, filho da cidade que tem o mais belo entardecer e um povo bom, como ele.
Seus amigos, conterrâneos, sabem, ele merece esta medalha.